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| Alex Webb, Magnum Photos |
Em 11 de setembro de 2001, os Estados Unidos da América assistiram ao desabamento das torres gêmeas do World Trade Center (WTC) em Nova Iorque, um dos lugares-símbolo do poder econômico sustentador da hegemonia estadunidense. Os ataques terroristas de 11 de setembro, como ficaram conhecidos, foram uma série de ataques suicidas coordenados pela Al-Qaeda, grupo terrorista islâmico que tem como líder Osama Bin Laden. Semanas depois dos ataques, estimou-se que o número real de vidas perdidas foi de mais de 6.000 pessoas.
Na manhã da fatídica terça-feira, quatro aviões comerciais foram seqüestrados por 19 terroristas da organização terrorista. Dois aviões se chocaram com as torres do WTC. O terceiro avião foi dirigido ao Pentágono, em Arlington – Virgínia, construção que abriga parte das forças armadas dos EUA, matando civis e militares. Já o quarto avião caiu em um campo próximo de Shanksville, Pensilvânia, depois que alguns de seus passageiros e tripulantes tentaram retomar o controle do avião que os sequestradores planejavam levar para Washington, capital dos EUA.
O motivo: Dias depois dos ataques, Bin Laden negou qualquer participação nos atos terroristas. Entretanto, pouco antes da eleição presidencial americana de 2004, ele reconheceu em uma gravação a responsabilidade da Al-Qaeda pelos atentados, dizendo que fora a injustiça da aliança entre americanos e israelenses contra seu povo da Palestina e do Líbano o motivo para os ataques terroristas.
Segundo investigações oficiais do governo americano, os ataques foram uma retaliação aos “três crimes e pecados” cometidos pelos Estados Unidos listados em documento oficial do Islã: apoio militar a Israel, ocupação militar da Península Arábica e agressão contra o povo iraquiano.
Traumas do 11/9: Desde o trágico episódio, a cultura norte-americana sofreu diversas modificações. Elevação no grau de segurança e busca por culpados acabaram se tornando o foco de todo o governo George W. Bush. Era declarada uma nova guerra, a guerra contra o terror.
“Guerra preventiva” foi o nome dado às invasões aos países árabes, onde estariam escondidos líderes da Al-Qaeda, principalmente Osama Bin Laden. O Afeganistão foi varrido à procura de terroristas. Encarcerados nas bases militares norte-americanas de Guantánamo (Cuba) e Bagram (Afeganistão), muitos dos prisioneiros ficaram incomunicáveis e com restrições ao direito de defesa. Já no Iraque, prisioneiros de Abu Ghraib foram submetidos à tortura, revelando outra face terrível da ação de atitudes terroristas praticadas em nome do Estado. Com relação ao julgamento de suspeitos envolvidos nos ataques, todos são submetidos a julgamentos militares, que não são públicos e podem condenar o réu à pena de morte, não existindo a possibilidade de apelação da sentença.
O apoio: A opinião pública americana estava com Bush. Tanto a imprensa quanto a população deram suporte para os motivos apresentados pelo ex-presidente para as invasões do Iraque e do Afeganistão. Vozes contra? Raras. Mesmo que esse sentimento de vingança tenha culminado em tamanha atrocidade contra as populações civis de tais países em prol da “democracia” e da “guerra ao terrorismo”, o apoio que Bush recebeu midiaticamente foi incomensurável e absolutamente necessário para que seus objetivos se consolidassem.
A imprensa americana amparou as invasões. Divulgou os pretextos e sustentou uma falta de discernimento entre as nomenclaturas “árabe”, “muçulmano” e “terrorista”. Colocou a imagem de um inimigo nacional, que deveria ser combatido pela sobrevivência dos valores da “democracia americana” e qualquer coisa que se colocasse contra deveria ser combatida.
Um dia a poeira baixa: No entanto, aos poucos sua adesão foi sucumbindo. As famílias dos militares, vendo seus filhos retornarem paraplégicos, por uma causa que parecia não ter fim, transferiram seu apoio aos democratas. Já em 2004, 57% dos estadunidenses acreditavam que a política de Bush não era transparente, ainda que aproximadamente 60% endossassem a manutenção das tropas no Oriente Médio.
A octaetéride Bush chegou ao fim com uma opinião pública diminuída pelas incertezas quanto às invasões propaladas pelo Partido Republicano. Neste cenário, a mea culpa do povo americano materializou-se na eleição do democrata Barack Obama. Sobre ele, a esperança de uma mudança radical foi depositada por um povo outrora beligerante, mas que agora amarga um estraçalhamento econômico, social e – por que não? – moral. Resta saber para onde a sociedade americana puxará seu país.

Gabriella D'Andréa
ResponderExcluirAs esperanças que antes eram depositados em Bush, agora recaem todas no presidente Barack Obama. As políticas adotadas há 9 anos já não fazem mais parte do interesse comum da sociedade americana, que agora tem como objetivo trazer seus familiares de volta da guerra. Outro fator decisivo nessa mudança de opinião foi a mídia, aquela que põe em pauta as discussões, que de acordo com ela, são as de maior relevância. Sendo assim, é jogada no espaço da esfera pública toda uma informação "peneirada", que tem o poder de alterar toda uma ordem. O atual presidente dos EUA possui um legado de desordem mundial, além de uma bomba no que diz respeito à sua relação com o Oriente Médio, em geral. Deixando de lado o discurso dúbio do povo americano, é bom que agora eles aprendam a controlar melhor sua ansiedade e se decidam, com a devida consciência, em relação às próximas eleições de 2012, que podem mudar, novamente, o rumo do país.
Isadora Armani Soares
ResponderExcluirComo discutimos na última aula com o professor Rafael, a mídia NÃO tem o poder de transformar seres humanos em marionetes.A atitude dos milhões de norte-americanos que apoiaram a guerra partiu da concepção deles, ao meu ver, sobre o que era correto naquele momento. Como ser uma pessoa alienada? A aceitação do povo americano, como o próprio grupo diz no texto, foi IMEDIATA. Não acredito que apenas o papel que a mídia teve neste processo, foi suficiente para a aprovação da guerra. Sinto sim, que a realidade da dor que pode trazer uma guerra, a REAL INFORMAÇÃO, só chegou aos cidadãos americanos quando famílias inteiras foram destruídas pelas mortes/mutilações de jovens americanos obtidas no campo de batalha. O palco da campanha americana de levar a democratização para todas as partes do mundo, desmoronou. A imagem de um presidente "sanguinário" como Bush, é substituída agora com o carisma de Barack Obama. Infelizmente, a imagem não pode ser a única questão na guerra contra a crise que se alastra no Estado norte-americano.
Em entrevista recente, o Bush disse que foi a princípio uma "voz dissidente" em seu governo, e que "queria dar uma chance à diplomacia". aSó cedeu devido à "resistência de Saddam Hussein e às informações de inteligência". Seja isso verdade ou não, a invasão ocorreu, pois os atentados do dia 11/9 levaram os americanos a manifestar um desejo de vingança. O povo governado por Bush logo começaram a cobrar seu pressidente por uma atitude. Contudo, anos após os atentados, essa maneira de fazer política além das fronteiras nacionais começou a enfraquecer, frente a um certo sentimento de paz, diplomacia e liberdade que correu o mundo, mas que é virtualmente impossível de ser aplicado em todo o território global, se levarmos em conta o modelo de relações internacionais que rege o mundo hoje.
ResponderExcluirPor Victor de Andrade Lopes
Por Priscila Fowler Venâncio
ResponderExcluirA mídia não trata as pessoas como marionetes, mas tem o poder de incutir na cabeça delas ideias e atitudes corretas. Tem o poder de alienar, sim, ao meu ver.
Manipular e alienar não é transformar. Uma pessoa não vai mudar seus valores por causa do que a mídia ou do que uma instância maior de poder diz. O valor fica guardado, mas muitas vezes esquecidos pela espetacularização que a mídia faz de alguns casos. Até caírem em si novamente a opinião pública continuará apoiando o que a mídia também apóia.
Foi assim no "guerra ao terror" de Bush. A sociedade apoiou até o último momento, quando caiu em si e viu os horrores que aquela população estava passando e quais eram os verdadeiros fatos daquelas guerras.
Os atentados de 11 de setembro não parecem, pelo menos pra mim, uma manipulação, seja por parte da imprensa norte-americana ou do Bush. Não estou defendendo ele, mas acho que seu discurso apenas retratou a indignação do povo com o ocorrido, ou seja, falou o que o povo queria ouvir, caso adotasse uma postura diferente, a população poderia não aceitar. O problema foi o que Bush fez depois, invadiu os países que julgava perigosos com o pretexto de difundir a democracia, acabando com a vida de milhares de civis; além de transformar as palavras “árabe” e “muçulmano” em sinônimos de terrorista. Seja qual for o motivo da Al-Qaeda para atacar os EUA, não justifica (não acho que os EUA sejam pobres coitados, mas um erro não justifica o outro). Entretanto, este episódio ainda me parece obscuro, acho que pode ter algo a mais que é desconhecido da maioria. Vamos esperar para ver se o wikileaks revela mais um documento confidencial.
ResponderExcluirDe modo geral, achei que o texto apresentou argumentos falhos. Não me convenceu de que a postura da mídia norte-americana foi de manipular a opinião pública, achei que tudo o que foi dito não passou de um discurso oportuno e patriota (o que é bem diferente de manipulador).
Victor Costa
Concordo com o comentário acima, do Victor. Acredito que não tenha havido manipulação de notícias ou de imagens por parte dos veículos norte-americanos. O que foi veiculado expressava, na minha opinião, somente a dor de um país que acabara de ser atacado e que via milhares de seus cidadãos serem mortos a cada minuto (alguns até pulando do edifício, tornando as imagens cada vez mais trágicas).
ResponderExcluirPortanto, acredito que nesse caso não houve manipulação, diferentemente do que ocorreu na Guerra do Iraque, logo após aos ataques ao World Trade Center. Durante a ocupação do exército de Bush, foram veiculadas inúmeras notícias falsas e imagens editadas, procurando fazer os EUA de vítima perante o mundo.
Caio Rinaldi - RA00067810
ResponderExcluirMinha opinião é de que houve sim manipulação da informação por parte dos veículos norte-americanos, inclusive, desde o primeiro dia, quando noticiaram números irreais sobre a quantidade de vítimas.
Temos de lembrar que a sociedade americana é muito patriota e, obviamente, isso foi muito explorado pela grande mídia. O discurso e a postura norte-americana sempre foram egoístas em relação ao resto do mundo e a mídia manipulou a informação com o intuito de criar um sentimento nacionalista e favorável ao combate.
No momento em que a crise atingiu fortemente o país, a mídia tratou de mudar seu discursso e passou a pedir o fim da guerra, principalmente pelos altos gastos. A mídia tem o poder de "flutuar" em suas posições e sempre leva com ela uma grande parcela da população.